Ataque dos EUA a avião comercial iraniano há 30 anos foi marco na discórdia entre países

Atualizado: Jan 8

Catástrofe sobre golfo Pérsico: com que objetivo americanos derrubaram avião iraniano?

Em 3 de julho de 1988, sob o golfo Pérsico ocorreu uma das maiores catástrofes na história da aviação mundial. Morreram 290 passageiros, entre os quais 66 crianças e 16 tripulantes que estavam a bordo do avião iraniano Airbus A300B2, atingido por mísseis dos EUA.

Naquele dia o avião da companhia aérea Iran Air fazia um voo de Teerã com destino a Dubai e com escala na cidade iraniana de Bandar Abbas, onde também se baseava a aviação militar do Irã. Dois mísseis de defesa antiaérea disparados do cruzador USS Vincennes da Marinha norte-americana atingiram o avião à altitude de quatro quilômetros, praticamente partindo a aeronave em duas partes.

Conforme o relatório governamental dos EUA, a tripulação norte-americana identificou erroneamente o Airbus civil, tomando-o por um caça F-14 Tomcat da Força Aérea iraniana. Ao se justificar, os marinheiros diziam que o avião não respondeu a vários pedidos de mudar o rumo, sem mencionar que tentaram entrar em contato com o avião civil em uma frequência militar que lhe era desconhecida. Medida de intimidação Segundo o analista militar Yuri Lyamin, o Irã e os EUA na época estavam à beira da guerra, e os navios da Marinha dos EUA estavam sempre em estado de alerta. "Nos últimos meses do conflito americano-iraniano, os EUA atacaram repetidamente os navios do Irã. Os americanos afundaram várias lanchas, destruíram uma plataforma petroleira iraniana, danificaram uma fragata militar", conta.

Para ele, os EUA atingiram o avião de propósito, a fim de demonstrar ao Irã que iriam derrubar quaisquer aeronaves que considerassem ameaça para os seus navios. "Foi mais uma medida de força". Claro que, após a catástrofe, no Irã receou-se um conflito de grande escala com Washington. Em muitos aspetos é por isso que o Irã parou a guerra com o Iraque por não ter possibilidade de travar a guerra em duas frentes. Naquele momento o conflito militar entre o Irã e Iraque continuava há oito anos. O cruzador USS Vincennes fazia parte do grupo de navios norte-americanos que protegiam os petroleiros e caravanas comerciais de possíveis investidas da Marinha iraniana. Apoiando o Iraque, em meados de 1988 os EUA enviaram navios à região do golfo Pérsico. O cruzador era dotado de mísseis de cruzeiro Tomahawk, armas de artilharia, torpedos e mísseis guiados SM-2MR. Difícil de errar Levando em conta a situação na região na época, claro que não se pode excluir um erro nas ações dos norte-americanos, mas os analistas afirmam que um operador experiente pode determinar com facilidade o tipo de aeronave. O especialista militar Mikhail Khodarenok explica: "Sim, os erros são inevitáveis, em especial nas regiões de ações militares. Mas tomar um avião civil por um avião militar — isso pesa na consciência dos norte-americanos".

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