Boneca muçulmana influencia formação das meninas islâmicas

A boneca mais famosa do mundo é a Barbie americana, muito conhecida e vendida no Ocidente. No Oriente Médio, existe uma outra boneca: a Fulla, tida como a Barbie muçulmana.

A Barbie tradicional é um dos produtos representantes da cultura ocidental de hoje que institui um padrão de beleza feminina cultuando a mulher de aparência jovial, usando roupas chamativas e sensuais, de preferência loira de olhos claros. Já a Fulla é o avesso da americana, e representa uma jovem muçulmana, morena com traços árabes, trajando roupas que cobrem o corpo, véu para esconder os cabelos e, às vezes, o rosto todo. O artigo Fulla – A boneca muçulmana. A formação da personalidade de meninas islâmicas através do ato de brincar, de autoria da pesquisadora Carolina Boari Caraciola, foi publicado na revista Signos do Consumo e analisa a influência da religião islâmica na formação da personalidade infantil. “Mais do que uma boneca ou uma marca, Fulla representa o contexto cultural no qual a menina, público consumidor do produto, está inserida, reforçando os códigos religiosos e de conduta“, diz o texto. A marca Fulla reflete os costumes, hábitos e comportamentos islâmicos. A autora traça um perfil histórico da cultura e da sociedade islâmicas, para introduzir a boneca Fulla como representante de todo um universo infantil muçulmano. A palavra Islã significa “submissão à Vontade de Deus e Obediência à Sua lei“. O seguidor do Islã é um muçulmano que, submetendo-se à vontade de Deus, em árabe, Allah, encontra a paz e a felicidade.

O Islamismo, se não restringe a raças ou culturas, também não dissocia religião, política, fé e moral. O muçulmano tem o Alcorão como livro sagrado. A obra contém as palavras de Allah reveladas pelo Anjo Gabriel a Maomé, considerado o “profeta final“. “Toda a lei do Islã está no Alcorão. E o Alcorão abrange toda a vida da pessoa. Nada escapa à religião.” Embora a adaptação da sociedade islâmica ao Alcorão não seja tão simples no mundo de hoje, principalmente em relação à mulher, a autora faz questão de ressaltar que, em sua origem, o Islã não estabelece diferenças entre homens e mulheres, “concebendo-os como seres iguais; porém, a forma fundamentalista da religião, bem como suas influências territoriais e culturais, distorcem as palavras do Alcorão no que se refere à mulher, sendo responsável por crimes, humilhações e violência contra elas“. Para introduzir a boneca Fulla no tema, a autora chama a atenção para uma atividade comum a toda criança e que comporta, além de outros conceitos, um instrumento de aprendizagem e educação ー o brincar. Brincar é conhecimento, é incentivo à criatividade e ao lúdico, fatores inerentes a uma efetiva aprendizagem, além de ser meio de firmarem-se vínculos sociais, desenvolvendo o potencial intelectual, social, físico e emocional das crianças. “As culturas ocidental e oriental divergem em uma série de questões, mas a brincadeira infantil possibilita, ao fiel de qualquer religião, as mais variadas trocas e integrações com o meio“. Brincar é trocar experiências com o outro, na expressão dos valores e características de uma cultura.

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