75 anos do Terrorismo Estadunidense em Hiroshima e Nagasaki - O Holocausto Japonês

Em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos cometeram uma das maiores atrocidades da história da humanidade.




Um Boing B-29 da força aérea do país lançou sobre a cidade japonesa de Hiroshima uma bomba atômica com 64 kg de urânio-235 – cinicamente apelidada de "Little Boy" – que provocou uma onda de destruição em um raio de quase 2 km e matou entre 90 mil e 166 mil pessoas, a imensa maioria delas civis. Três dias depois, os EUA lançaram uma segunda bomba atômica, dessa vez em Nagasaki, matando mais 60-80 mil pessoas. Estima-se que metade das até perto de 250 mil mortes, em ambos os casos, tenha ocorrido no momento das explosões, e as demais após longos períodos de sofrimento com queimaduras, envenenamento e outras lesões agravadas pelos efeitos da radiação.



Foi a primeira e única vez na história que armas nucleares foram usadas em guerra. Os ataques foram o ápice de uma campanha de bombardeiros iniciada pelos chamados Aliados no Japão pouco mais de um ano antes. Inúmeras cidades foram devastadas e cerca de 900 mil japoneses, segundo algumas estimativas, foram mortos nesse período. Outras centenas de milhares ficaram feridos. Durante a Segunda Guerra Mundial, documentos diplomáticos e relatos de historiadores comprovam, a "retórica aniquilacionista" era tolerada em todos os níveis da sociedade norte-americana, que considerava os japoneses uma "massa anônima de vermes". Uma pesquisa de opinião pública realizada em 1944 constatou que 13% da população dos EUA era a favor de matar todos os japoneses: homens, mulheres e crianças. Isso corresponde a quase 18 milhões de pessoas a favor da eliminação de um povo, em valores proporcionais à população do país à época.



As bombas foram lançadas com consentimento dos britânicos. Em Potsdam, onde os termos de rendição do Japão foram elaborados pelos Aliados (sem mencionar no documento que a retaliação em caso de uma negativa seria uma bomba atômica), Winston Churchill pediu ao presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, que o Reino Unido também fosse representado quando a bomba fosse lançada. A "Little Boy" levou 44 segundos para cair e foi detonada a cerca de 600 metros da superfície, gerando uma nuvem em cogumelo que, de acordo com o testemunho de oficiais japoneses, pôde ser visualizada com nitidez a 160 km de distância da cidade de Hiroshima.


Sumie Kuramoto, que presenciou o ataque aos 16 anos de idade, relatou em 1950: "Aos poucos o ar se aclarou e eu consegui sair dos destroços. No caminho para um dos centros de emergência vi muita confusão. As ruas estavam tão quentes que queimavam meus pés. Casas ardiam, os trilhos de bonde irradiavam uma luz sinistra e no local de um templo pessoas se amontoavam. Algumas respiravam, a maioria estava imóvel. No pronto-socorro chegava gente correndo, as roupas rasgadas, chorando, gritando. Alguns tinham o rosto ensanguentado e inchado, outros tinham a pele queimada caindo aos frangalhos de seus braços e pernas. Em um bonde vi fileiras de esqueletos brancos. Havia também os ossos de pessoas que tentaram fugir. Hiroshima tinha se tornado num verdadeiro inferno”.



Mesmo no contexto de horror e barbárie da Segunda Guerra Mundial, os bombardeios a Hiroshima e Nagasaki são considerados até hoje um dos atos mais abjetos e covardes perpetrados por uma potência militar em todos os tempos. De forma alguma, é evidente, isso representa a totalidade de uma nação que no imaginário ocidental simboliza o progresso e a liberdade dos povos, mas, como tudo na História, é um episódio que deixa lições. Até que ponto um estado belicista, forjado na cultura da guerra, como os EUA, é capaz de ir para defender valores tão subjetivos como a “honra” de seu povo e a hegemonia de seus princípios morais? Embora as regras do jogo hoje sejam outras, uma escalada de ódio e intolerância não pode ser minimizada, pois seus efeitos costumam deixar marcas profundas que jamais são esquecidas por aqueles que são as suas vítimas.


Nossas mais sinceras e profundas condolências ao povo japonês e que jamais esqueçamos do dia em que a humanidade entendeu que poderia ser extinta.