A História dos profetas Dawud (A.S.) e Suleiman (A.S.)

Por Kamal al-Sayyd

Traduzido por Ismail Ahmed Barbosa Júnior




Talut morreu e Dawud se tornou rei. Ele não se iludiu com seu reinado. Ao contrário, era grato a Deus. Deus, o Glorioso, revelou o Zabur a ele como livro subseqüente a Torah. Deus o ensinou-lhe muitas coisas, o ensinou a linguagem dos pássaros e o agraciou com uma voz bela e encantadora. Quando as pessoas a ouviam, a fé entrava em seus corações. Sua voz era como um belo riacho, o murmúrio das águas e o canto dos pássaros na primavera. Deus, o Glorioso, também amaciou o ferro para ele. O ferro e o metal se tornavam maleáveis em suas mãos. Dawud fabricou armaduras de metal para aqueles que lutavam na causa de Deus. Dawud criava cavalos. Os cavalos eram uma poderosa arma. Os cavaleiros os usavam na luta na senda de Deus e da verdade. Quando Dawud recitava o Zabur, os pássaros e as montanhas respondiam e glorificavam a Deus. Dawud foi um rei justo, governou seu povo de acordo com a lei divina. Ele auxiliava os oprimidos de modo que o povo levava uma vida feliz durante seu governo.


Dawud devotava um terço da noite para a adoração a Deus, ele amava a seu Senhor e seu Senhor o amava. Ele jejuava dia após dia e sempre glorificava a Deus. Quando despertava pela manhã, ele glorificava a Deus, e as montanhas repetiam sua glorificação. Quando recitava o Zabur, os pássaros o acompanhavam. Dawud fundou um poderoso estado para aqueles que acreditavam em Deus e em sua Lei. Foi um rei e um Profeta. Organizava seu tempo, sua vida, suas tarefas, e dividia seu tempo em quatro partes:


* Uma parte para satisfazer suas necessidades pessoais * Uma parte para a adoração à Deus * Uma parte para deliberar sobre as questões do estado * Uma parte para a educação de seus filhos


O Teste


Dawud vivia em seu palácio. Os guardas mantinham seus postos à porta. Eles não permitiam que ninguém o encontrasse durante o tempo de sua adoração a Deus. Dawud se encontrava sentado em seu mihrab quando dois homens surgiram diante dele. Dawud teve medo deles, pois vinham na hora de suas preces, não no momento determinado para a deliberação dos assuntos. Por isso, um deles disse: “Não tenhas medo, viemos para que tu decidisses nossa questão.” Dawud se tranquilizou quanto aqueles homens e perguntou: “Qual é a vosso caso ?” Um deles disse: “Este meu irmão possui 99 ovelhas e eu possuo apenas uma. Ele levou a minha ovelha, ainda assim seu argumento é forte.” Dawud ficou impressionado, então disse com indignação: “Teu irmão foi injusto contigo. Por que quer tirar de ti a tua única ovelha quando já possui 99?” Dawud tomou uma decisão rápida, pois não perguntou ao outro irmão sobre seu argumento. Ele tinha que inquiri-lo sobre isso. Os dois irmãos desapareceram subitamente. Dawud ficou preocupado com o seu erro. Aquele era um teste divino, ele tinha que dar ouvido a ambas as partes em litígio, antes de emitir um julgamento. Dawud percebeu que Deus, O Glorioso, desejava testá-lo, então, ele pediu perdão a Deus por seu julgamento apressado.


O Novo Julgamento


Deus, o Glorioso, deu um filho a Dawud. Dawud chamou o bebê de Sulayman. Sulayman cresceu sob os cuidados de seu pai. Dawud ensinou-o nobres maneiras. Ensinou-o a adorar a Deus, a agradecer a Ele, e a praticar o bem. Sulayman cresceu, tornou-se um jovem inteligente e temente a Deus. Deus, o Glorioso, quis revelar ao povo as extraordinárias qualidades de Sulayman. A fim de que o povo soubesse que Sulayman seria o sucessor de seu pai, Dawud.


Uma noite, quando o povo, os agricultores e os pastores dormiam, um rebanho se soltou e se encaminhou aos vinhedos. As ovelhas comeram as uvas e estragaram as árvores. Pela manhã, quando o proprietário dos vinhedos despertou e foi até lá. Ele ouviu as ovelhas balindo. Quando entrou nos vinhedos viu o rebanho comendo as uvas e danificando as árvores. O homem ficou zangado, então foi ter com o proprietário do rebanho e acusou-o de ter conduzido o rebanho para pastar nos vinhedos. Uma discussão séria aconteceu entre os dois homens.O dono do rebanho disse : “Vamos até o Profeta para que decida esta questão.” À caminho do palácio, o dono dos vinhedos disse ao outro: “Tu deves cuidar de teu rebanho e não deixá-lo pastar em qualquer lugar que queira.” O dono do rebanho respondeu: “Tu também deves cuidar de teus vinhedos.” O outro disse: “Eu os guardo apenas durante o dia, pois acho que não há ninguém que pastoreie seu rebanho à noite.” Então, eles chegaram ao palácio do Rei Dawud e o encontraram arbitrando. Quando a vez do proprietário dos vinhedos chegou ele se encaminhou até Dawud e explicou seu caso para ele. Dawud ouviu tudo em detalhes, então emitiu seu veredicto com respeito ao acontecido, dizendo: “O dono do rebanho deve dá-lo ao dono dos vinhedos, já que o rebanho destruiu as plantações.”


Deus, o Glorioso, desejava mostrar ao povo as qualidades de Sulayman, filho de Dawud e que soubessem que ele seria o sucessor de Dawud, o Profeta. Portanto, Deus inspirou Sulayman com um novo julgamento, assim Sulayman disse: “Ó Profeta de Deus, existe um julgamento melhor.” “Qual seria, meu filho?” Sulayman respondeu: “O dono do rebanho deve cedê-lo ao dono dos vinhedos por um ano, de modo que o segundo se beneficie da lã e do leite do rebanho e tome para si a cria (nesse período). Então o dono dos rebanhos deve assumir os vinhedos para recultivar as plantas que seu rebanho destruiu.” Dawud ficou contente com o julgamento de Sulayman. Ele compreendeu que Deus, o Glorioso, desejava mostrar as extraordinárias qualidade de Sulayman e fazer com que o povo soubesse que seria seu sucessor. Por isso, Dawud aceitou a sentença de Sulayman, e o povo passou a respeitar seu julgamento dali por diante.


O governo de Dawud perdurou por quarenta anos. Por todo aquele tempo Dawud governou segundo o que Deus lhe revelou. De maneira que o bem e a segurança prevaleceram nas terras governadas por Dawud. Quando Dawud sentiu que sua morte estava próxima, designou seu filho Sulayman como seu sucessor. Isto porque Sulayman era similar à seu pai no comportamento, na moral e na bondade com o povo.


Sulayman, o sábio


Sulayman era um jovem crente em Deus quando assumiu a responsabilidade de governar e conduzir os assuntos do país. Sulayman desenvolveu as habilidades de seu exército. Ele não quis ocupar e controlar os outros países. Desejava difundir a palavra de Deus por toda a terra. Sulayman foi um rei, um sábio e um Profeta. Quando Deus, o Glorioso, viu que Sulayman era humilde e grato, Ele duplicou seu Reinado e abençoou seu país, assim as bênçãos prevaleciam no país de Sulayman.


Deus, o Glorioso, agraciou-o com qualidades ímpares, pois Sulayman sempre demonstrava sua gratidão a seu Senhor. Deus ordenou que os fortes ventos obedecessem a Sulayman. De modo que Sulayman comandava os ventos para que soprassem ou deixassem de fazê-lo e eles o obedeciam. Deus, o Glorioso, ordenou aos Jinns para que o obedecessem. Os jinns (gênios) cumpriam as ordens de Sulayman, mergulhavam no fundo do mar e traziam tesouros, pérolas e corais. Construíam para ele belos monumentos e mihrabs.


Sulayman queria estabelecer um forte estado para proteger os que acreditavam em Deus, então ele orou a Deus pedindo para que o instruísse nos segredos da ciência. Deus, o Glorioso, ensinou-lhe muitos segredos das ciências, a linguagem dos pássaros e dos animais. Por isso, Sulayman ordenou para que se desenvolvesse a agricultura e para que se construísse barragens. Além disso, ele formou um grande exército de jinns e homens. Para que os inimigos atentassem para a fé, Sulayman ordenou aos jinns e aos homens que construíssem um trono inigualável.


Então, os jinns e os homens cumpriram sua ordem, trouxeram ébano, ouro, marfim e milhares de pedras preciosas. Construíram um trono decorado com ouro, marfim e pedras preciosas tais como esmeraldas e corindos. Fizeram duas estátuas de temíveis leões e as colocaram em ambos os lados do trono, e também duas outras estátuas de águias abrindo suas asas sobre o trono.


As Formigas


Deus, o Glorioso, é o criador do homem e dos animais. Ele é o Criador de todas as coisas. Quando olhamos para o mundo a nossa volta encontramos muitas criaturas. Existem pequenas criaturas vivendo perto de nós. Não nos apercebemos delas quando passam por nós, e não as vemos senão quando olhamos com atenção. São as formigas. As formigas vivem em sociedades, trabalham, guerreiam e se defendem contra suas inimigas. Sua vida é perfeitamente organizada e é cheia de trabalho e atividade. As formigas coletam seu alimento no verão e o armazenam para o inverno. Uma história divertida aconteceu entre estas pequenas criaturas e Sulayman (A.S.).


Um dia, Sulayman liderava seu exército para a luta na causa de Deus. Sulayman e suas tropas atravessavam um vale onde viviam formigas. As patas dos cavalos faziam o chão tremer. Como de costume, as formigas trabalhavam no vale. Algumas formigas coletavam alimento e outras trabalhavam em suas casas. Havia uma pequena formiga trabalhando fora de sua casa. A formiguinha sentiu o chão tremer.


Ela soube que Sulayman e seu exército estavam chegando ao vale, assim, ela se levantou e avisou suas companheiras, dizendo: “Formigas, o exército de Sulayman está a caminho do vale! Vamos, voltem para suas casas, senão os soldados vos esmagarão, já que eles não sabem de vós.” A formiga estava sobre uma árvore olhando para o horizonte. Então, Sulayman e seus soldados surgiram. Sulayman se aproximou e olhou para a formiga que ainda estava alertando suas companheiras sobre ele e seus soldados. Deus,o Glorioso, ensinara a Sulayman a linguagem das outras criaturas, assim, ele sorriu ao ver a formiga.



Sulayman desmontou de seu cavalo e se prostrou a Deus, e em seguida ergueu sua cabeça e olhando para o céu, disse: “Meu Senhor, inspira-me para que eu te agradeça a mercê com que me agraciaste, a mim e a meus pais, e para que pratique o bem que te compraz e admite-me na sua misericórdia, juntamente com teus servos virtuosos.” Sulayman impediu que seus soldados entrassem no vale, de modo que eles seguiram por um outro caminho. Muitas formigas temiam que Sualayman e seus soldados destruíssem suas casas. Porém, a formiga contou o que havia acontecido e elas ficaram felizes, assim, pediram a Deus que concedesse a Sulayman e seu exército a vitória sobre seus inimigos. O exército de Sulayman continuou sua marcha para a luta na causa de Deus, e as formigas voltaram ao vale para trabalhar em paz.


Notícias de Sabá


O exército de Sulayman era formado de jinns, homens e pássaros. A poupa ajudava o exército procurando por água. O pássaro pousava no lugar sob o qual a água se encontrava, assim, os trabalhadores viam e cavavam um poço para retirá-la. Um dia, Sulayman ordenou a seu exército que se reunisse, os soldados fiéis, os jinns e os pássaros compareceram. Sulayman falou sobre o seu grande império. E disse: “Todo este reino é uma dádiva de Deus, o Glorioso.


Aquele que é grato com Deus, Deus, o glorioso, o agracia. Deus ensinou-me a linguagem dos pássaros e deu a mim tudo o que tenho.” Enquanto falava, Sulayman lembrou-se da poupa. Ele não a encontrou entre os pássaros. Todos os pássaros compareceram, menos ela. O Profeta (A.S.) perguntou: “Onde está a poupa? Não está aqui?” Os pássaros entreolharam-se e disseram: “A poupa cometeu um grande erro!” Sulayman disse: “Eu castigarei a poupa severamente. Eu a matarei, a menos que apresente uma razão evidente.” Alguns dias se passaram, e então a poupa chegou. Os pássaros contaram a ela sobre a ameaça de Sulayman de modo que ela teve medo da punição do Rei Sábio. A poupa sabia que sua vida estava em risco e que seria morta se não desse uma desculpa aceitável ao Profeta. A poupa voou até o palácio e pousou junto ao portão. Pediu permissão aos guardas e entrou no palácio.


Atravessou a corte real de mármore e curvou sua cabeça para demonstrar seu remorso. O profeta (A.S.) perguntou à poupa: “Poupa, onde estavas?” A poupa ergueu sua cabeça e falou com o Profeta sobre sua viagem. Respondeu: “Eu estive no reino de Sabá. Trago notícias importantes. Vi um vasto país e uma grande nação. Vi uma rainha os governando. Eu a vi sentada num grande trono.” Sulayman ouviu atentamente as notícias. A poupa disse: “Eu vi a rainha cujo nome é Balquis, prostrando-se ao sol e não a Deus. Todo o povo ali adora ao sol.


Satã ludibriou-os dizendo que o sol era a fonte da existência.” Sulayman ficou triste ao ouvir as palavras da poupa, e então disse: “Por que não se prostram a Deus, que revela o que está oculto nos céus e na terra e conhece o que ocultam e o que obram de modo manifesto. Deus, não há Deus senão Ele. Ele é o Senhor do Poder Supremo.” A poupa continuou relatando o que tinha visto naquele país, então Sulayman olhou para ela e disse: “Logo veremos se o que dizes é a verdade ou se estás a mentir.” Sulayman disse isso e se levantou para escrever uma carta para a rainha de Sabá. Quanto à poupa, estava certa que Sulayman não a castigaria pelo que tinha feito. Então, pediu ao Rei que permitisse a ela descansar da longa viagem. Prometeu que voltaria no dia seguinte para levar a carta a Rainha. Todos os pássaros comentavam o que a poupa tinha visto. Ela tinha feito uma grande viagem que apenas os homens e os jinns poderiam fazer. O próprio Sulayman não conhecia aquele reino e nem sabia que existia uma nação adorando o sol ao invés de Deus.


Sua Viagem ao Iêmen


Pela manhã, a poupa veio ao palácio de Sulayman para levar a carta ao Iêmen. Sulayman tinha colocado a carta num envelope dourado e selado. A poupa voou alto no céu para atravessar aquela longa distância entre a Palestina e o Iêmen. Ao olharmos o mapa ficamos admirados com a longa jornada. Como a poupa fez aquela longa viagem? Como atravessou aqueles desertos? Como cruzou aquelas altas montanhas? A poupa cobriu aquela longa distância e suportou as dificuldades da jornada para fazer com que aquele povo adorasse a Deus, o Deus Único.


A poupa chegou ao reino de Sabá, no Iêmen. Quando o sol nasceu ela adentrou o palácio de Balquis, a poderosa rainha do Iêmen. Balquis despertou e olhou pela janela para ver o sol. Então, ela se prostrou na direção dele. Naquele momento a poupa entrou pela janela na corte e pôs a carta sobre o trono da Rainha. Balquis viu alguma coisa brilhando em seu trono. Ela pegou o envelope dourado e abriu. Ficou admirada ao ver aquela belíssima carta. A poupa observou a Rainha enquanto esta lia a carta. A Rainha olhou surpresa para a poupa e se perguntou: “Como este pássaro atravessou tal distância para cumprir tão importante tarefa?” Balquis mandou chamar seus ministros e comandantes militares.


Quando se apresentaram a Rainha se ergueu do trono segurando a carta e disse: “Chefes, uma importante missiva me foi enviada. Vem da parte de Sulayman, e diz: “Em nome de Deus o Clemente, o Misericordioso, não vos exalteis, vinde a mim submissos!” Um silêncio temeroso dominou a corte. O Rei da Palestina os ameaçava e ordenava que se afastassem da adoração ao sol e que adotassem o culto a Deus, o Deus Único. Balquis disse: “Ó chefes, aconselhai-me neste problema, pois que nada decidirei sem a vossa aprovação.” Balquis pedia o conselho de seus comandantes militares. E disse a eles: “Eu não sou teimosa. O destino do país depende de vossa resposta. Por esta razão, devemos fazer uma escolha sensata.” Os comandantes militares estavam ansiosos por empenhar guerra contra Sulayman de modo que disseram com entusiasmo: “Somos poderosos e temíveis, não obstante, o assunto te incumbe, considera pois, o que hás de ordenar-nos.” A Rainha Balquis era uma mulher sábia. Ela meditou antes de decidir e então disse: “Quando os reis invadem uma cidade, devastam-na e aviltam os seus nobres habitantes, assim farão conosco.” “Devemos saber quem Sulayman é. É um rei opressor? Ou é realmente um Profeta? Deseja ocupar nosso país ou nos beneficiar?” Um dos ministros perguntou: “Vossa Majestade, como saberemos isso?” A Rainha respondeu: “Estou pronta a estabelecer bons contatos com o Rei Sulayman e para enviar-lhe presentes todos os anos. Então, enviarei a ele presentes por alguns emissários. Desejo testá-lo por meio disso. Se ele aceitá-los, então é um rei como os demais, e poderemos desobedecê-lo quanto ao culto solar. Se recusá-los, então não é um rei comum, é um verdadeiro Profeta. Portanto, não tememos os profetas pois não oprimem a ninguém.


Ordenarei aos emissários para que vejam seu império com seus próprios olhos e busquem compreender pefeitamente seus objetivos, porquanto devemos aguardar até que os emissários retornem.” Os comandantes e os ministros aprovaram o que Balquis disse, assim, A Rainha enviou os presentes a Sulayman.


A poupa assistiu atentamente a reunião dos oficiais de estado e compreendeu a decisão da Rainha, em seguida voou de volta a Palestina. A poupa voou e voou, atravessando uma longa distância. Parou apenas para descansar um pouco. Finalmente, a poupa chegou à Palestina e logo foi até Sulayman para informá-lo das mais recentes notícias. A poupa disse a Sulayman: “Alguns emissários do Reino de Sabá estão a caminho.” Sulayman disse a si mesmo: “Tenho que pensar numa maneira de convencer os emissários da crença em Deus e ao abandono da adoração ao sol. A melhor maneira será que eu mostre a eles a grandeza do meu reino e a autoridade a qual Deus me investiu. Devo dizer a eles: “Ó homens, adoreis a Deus.


Os animais selvagens me obedecem, os pássaros voam à minha volta, os jinns trabalham dia e noite construindo monumentos e mergulhando nas profundezas do mar para extrair pérolas.” Sulayman sabia que os emissários viriam trazendo caros presentes para convencê-lo a manter-se em silêncio.


A Ameaça de Guerra Os emissários de Sabá chegaram na Palestina. Era um grupo de cavaleiros trazendo os mais caros presentes a Sulayman. Para fazê-los entender que seu Reino era divino e maior do que o deles, o Profeta de Deus, recepcionou-os de um modo muito impressionante. Os emissários ficaram estupefatos ao verem leões e tigres postados ao lado de Sulayman, os pássaros voando perto dele e os soldados armados dispostos em fileiras bem organizadas. Sulayman sentou em seu trono.


A despeito da sua magnífica corte, Sulayman era humilde, seus olhos cintilavam de fé e amor. Os emissários se aproximaram dele para entregar os presentes. Sentiram-se envergonhados por seus presentes parecerem insignificantes na presença magnificente de Sulayman. Algo inesperado aconteceu. Sulayman não aceitou os presentes, pois compreendeu que não tinham sido enviados para estabelecer boas relações entre os dois reinos, mas tinham sido enviados como um suborno para fazer com que ele desconsiderasse os ritos pagãos de Sabá. Irritado, Sulayman disse: “Desejais proporcionar-me riquezas? Sabei que aquelas que Deus me concedeu são preferíveis às que vos concedeu! Entretanto, vos regozijais de vossos presentes!” Então, se dirigindo ao líder dos emissários, disse: “Retorna aos teus! Em verdade atacá-lo-emos com exércitos que não poderão enfrentar, e os expulsaremos, aviltados e humilhados, de suas terras.” Em seguida, Sulayman ameaçou-os com a guerra. Ele não queria o ouro e a prata do povo de Sabá, queria que acreditassem em Deus, o Deus Único. Não era um rei comum para aceitar ouro e prata, era um Profeta. Os Profetas queriam que as pessoas acreditassem em Deus e se afastassem da idolatria.


Sulayman disse ainda aos emissários que estavam impressionados com sua grandeza, humildade e submissão a Deus: “Deus, o Glorioso, criou o homem e o tornou nobre, assim, por que o homem se prostra a ídolos? Por que Adora o sol e a lua? Não sabe que é a mais nobre de todas as criaturas de Deus?Não sabe que Deus quer que seja livre e que não tema a ninguém senão a Ele?”


A Decisão da Rainha Balquis


Os emissários retornaram ao Iêmen e informaram a Rainha sobre a atitude de Sulayman. A Rainha pensou: “Se eu insistir em meu procedimento, a guerra certamente acontecerá. Sulayman não é um rei comum, talvez seja um Profeta. Sendo Assim, eu mesma devo ir até ele.” A Rainha achou que seria melhor saber detalhadamente o que tinha acontecido lá. Pensou que seria capaz de estabelecer boas relações entre os dois reinos e evitar a guerra que estava prestes a ser deflagrada. Assim, a Rainha decidiu ir ao Reino de Sulayman. Muitos de seus vassalos a aconselharam em contrário a sua decisão, mas foi inútil. Balquis era uma Rainha sábia e corajosa. Ela pensou muito sobre o assunto e não encontrou nada melhor senão ir até Sulayman. A Rainha pegou sua bagagem, servas e soldados e rapidamente partiu de seu Reino. Quanto ao sábio Rei Sulayman, se reuniu com seus oficiais de estado. Seu objetivo era convencer a Rainha de Sabá da crença em Deus e ao abandono da idolatria. Portanto, meditava sobre uma maneira de dissuadi-la de sua errônea forma de pensar. Finalmente, ele chegou a uma admirável conclusão: “Devo trazer o trono da Rainha Balquis do Iêmen, antes que ela chegue a Palestina!”


A Habilidade do Homem Fiel


Sulayman reuniu seus homens, jinns e pássaros e em seguida perguntou a eles: “Quem de vós é capaz de trazer o trono da Rainha de Sabá?” Era uma tarefa difícil, as poupas não podiam realizá-la. Um dos jinns se levantou e disse: “Eu te trarei o trono antes que tenhas levantado do teu assento, porque sou poderoso e fiel ao meu compromisso.” Sulayman quis que os fiéis demonstrassem sua habilidade, assim, se dirigiu a um pessoa chamada Asif Bin Barkhiya e disse: “Asif, o que opinas?” “Eu posso traze-lo”, respondeu Asif. “Quando?” perguntou Sulayman. “Eu o trarei num piscar de olhos, tu o verás diante de ti em poucos instantes.” Asif era um homem virtuoso e cheio de fé. Todo o povo o conhecia, conheciam sua fé e fidelidade para com Deus. Deus, o Glorioso, honrou seu servo sincero. Algo surpreendente aconteceu. Todos os presentes viram o trono do Reino de Sabá surgir na corte real de Sulayman. O trono da Rainha era magnífico. Feito de madeira e decorado com ouro, prata e pedras preciosas. Pedras de ônix cintilavam por todo o trono. Os raios de sol que refletiam em sua colorida cobertura aumentavam sua beleza.


O Encontro


Os pássaros anunciaram: “A Rainha Balquis está nas imediações da Palestina. Ela estará na Terra Sagrada dentro de horas.” O Trono da Rainha, a Corte, e o palácio estavam decorados de modo impressionante. Os dois tronos se encontravam próximos. Balquis entrou na magnífica Corte do palácio. Ela entrou e viu Sulayman sentado em seu trono. Ela o viu circundado por leões, pássaros e soldados. Referindo-se a seu trono, um dos soldados perguntou: “Este é o teu Trono?” Quando a Rainha viu o seu Trono, ela quase chorou. Porém, ponderando, ela respondeu: “Se parece com o meu Trono!” Seu coração se encheu de fé e submissão a Deus. Ela olhou para Sulayman e percebeu que ele era cortês, humilde e crente. Quando Sulayman falou, ela sentiu o amor e a paz em sua voz.

A recepção terminou, então os guardas levaram a Rainha Balquis ao palácio que Sulayman havia construído para sua estadia. A Rainha, rodeada por seus sentinelas, entrou no palácio. Alguns guardas se posicionaram em ambos os lados da porta do palácio. Balquis entrou no grande salão.


Algumas jovens fiéis acompanhavam-na, caminhavam atrás dela para demonstrar respeito. Quando a Rainha entrou no salão, ela viu o que parecia um piso cheio de água, da entrada do salão até o aposento. Ela imaginou o piso cheio de água , portanto ela ergueu um pouco seu vestido. Um das jovens sorriu e disse: “É apenas um piso de cristal!” Balquis tinha testemunhado um outro sinal da grandeza de Sulayman. O reflexo da luz no piso de cristal a fez pensar que havia uma piscina cheia de água. A Rainha perguntou: “Pode um homem construir semelhante palácio?” A jovem respondeu: “Não, os jinns o construíram.” Balquis murmurou: “Certamente, os jinns o construíram!” A crença em Deus aumentou em seu coração. Ela já tinha questionado sua própria crença. Não mais se satisfazia com o culto ao sol. Ela concluiu que o verdadeiro Deus não se punha, e que estava sempre presente. Contudo, ela não podia anunciar sua conclusão, pois todos em seu reino adoravam o sol. Se ela tivesse dito que o sol não era um deus, eles a teriam matado. Então, a Rainha conheceu a verdade. Ela viu Deus, o Glorioso, com seu coração. Ela soube que Deus amava as pessoas. Viu como Deus ordenava para que todas as coisas se submetessem ao ser humano. Portanto, ela disse: “O homem não deve se prostrar a ninguém, senão a Deus.”


Uma pessoa crente governava a existência! Esta pessoa era Sulayman, que comandava o vento, os jinns, os pássaros e os animais, e ainda assim, se prostrava a Deus para demonstrar gratidão e humildade. Balquis olhou para o céu e disse: “Meu Senhor, fui injusta para comigo mesma, e me submeto com Sulayman diante de Deus o Senhor dos mundos .” A Rainha se prostrou a Deus pela primeira vez, então todos os seus soldados também se prostraram. Sulayman se prostrou a Deus para agradecer. Ele conseguiu a conversão da Rainha a crença em Deus.


O Final


Os jinns temiam a Sulayman pois era o único que podia constrangê-los a servir o Reino da Fé. Por muitos anos, eles construíram mihrabs e monumentos, e mergulharam nas profundezas do mar para extrair pérolas e corais. Pensavam que eram mais fortes dos que o homem. Todavia, quando da competição para trazer o trono aconteceu, um homem fiel venceu, foi capaz de trazer o trono do Iêmen para a Palestina no espaço de um piscar de olhos. Ainda assim, os jinns achavam que eram melhores do que todas as criaturas de Deus e que eram mais sábias do que todas elas. Deus, o Glorioso, quis demonstrar aos jinns que eles nada sabiam senão aquilo que Ele havia lhes ensinado.



Os Cupins


Sulayman estava no palácio, apoiado em seu cajado. Os jinns trabalhavam incessantemente. Quando eles olhavam para Sulayman, intensificavam seu trabalho pois o temiam. Sulayman tinha terminado suas preces e se pôs a observar o trabalho dos jinns. Ele se apoiou em seu cajado observando-os trabalharem. Naquele momento, Deus, o Glorioso, o fez morrer. A alma de Sulayman viajou para o paraíso. O corpo de Sulayman permaneceu inclinado sobre o cajado por dias. Os jinns vieram e viram-no em pé, de modo que continuaram com seus afazeres. Nenhum deles percebeu a verdade, todos os jinns olhavam para Sulayman e o viam em pé. Deus quis fazer com que todos os seus servos, homens e jinns compreendessem que não conheciam o oculto. Os cupins caminhavam na corte real, e ninguém percebeu. Deus, o Glorioso, desejou mostrar a verdade através das menores de suas criaturas. Os cupins caminharam até o cajado de Sulayman e começaram a roê-lo.


Sulayman estava ainda apoiado em seu cajado. Enquanto os cupins roíam e os jinns continuavam ocupados em seu trabalho. Depois de semanas, quando os cupins roeram parte do cajado algo surpreendente aconteceu. O corpo de Sulayman tombou no chão, desabou no piso de mármore da corte real. Os homens e os jinns perceberam que ele estava morto. Os jinns compreenderam que não tinham o conhecimento do oculto, pois não sabiam que Sulayman havia morrido. Não fosse pelos cupins os jinns continuariam trabalhando por um longo tempo.


Os crentes ficaram tristes com a morte de Sulayman. Quanto aos jinns, ficaram felizes com a sua morte, pois sentiram que não mais trabalhariam para o homem. O Reino de Sulayman chegou ao fim. Foi um reino admirável. Os homens, os jinns e os animais participaram dele e o construíram. A paz esteja sobre Sulayman, o grato, o sábio Profeta, o soberano do reino da Fé.


“E Salomão foi herdeiro de David, e disse: Ó humanos, tem-nos sido ensinada a linguagem dos pássaros e tem-nos sido proporcionada toda graça. Em verdade, esta é a graça manifesta (de Deus). E foram consagrados ante Salomão, com os seus exércitos de gênios, de homens e de aves, em formação e hierarquia. (Marcharam) até que chegaram ao vale profundo das formigas. Uma das formigas disse: Ó formigas, entrai na vossa habilitação, senão Salomão e seus exércitos esmagar-vos-ão, sem que disso se apercebam. (Salomão) sorriu das palavras dela, e disse: Ó Senhor meu, inspira-me, para eu Te agradecer a mercê com que me agraciaste, a mim e aos meus pais, e para que pratique o bem que Te compraz, e admite-me na Tua misericórdia, juntamente com os Teus servos virtuosos.” (Alcorão C.27 – V. 16 a 19)

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