A vingança de Trump 

Por que Trump ordenou o assassinato do general iraniano Qassem Sulaimani, comandante da Falaiqul Quds (Divisão Al Quds) juntamente com o comandante do grupo paramilitar Hashd al Shaab (União Popular), o iraquiano Abul Mahdi al Muhandiss? Ambos são heróis em seus países e fora deles.

Há várias razões. A primeira delas é que ambos representam os cérebros de uma possível guerra contra o Estado Sionista. Portanto, uma ameaça intelectual. E todos nós sabemos que Israel é a menina dos olhos dos americanos. Israel é a principal base americana no Oriente Médio, que policia todos os países árabes, que divide-os e que cria intrigas e cisões entre eles para que jamais se unam.

A segunda importante razão é que o Hashd al Shaab, o grupo paramilitar iraquiano, sob o comando de Abul Mahdi al Muhandiss terminou com a existência do Estado Islâmico e da Al Qaeda dentro do território iraquiano e na fronteira com a Síria. E todos nós sabemos que esses grupos terroristas – Estado Islâmico e Al Qaeda e suas afiliadas – são criação da própria intelligentsia americana, saíram do útero da CIA, com financiamento dos sauditas, dos emiratenses e dos catarianos, com o objetivo de desestabilizar os governos que seriam possíveis inimigos de Israel – ou qualquer governo que não girasse em torno da órbita dos Estados Unidos. Vide Síria, Iraque, Afeganistão e outros.

Quanto ao assassinato do herói iraniano, o general Qassem Sulaimani, os americanos o viam – como de fato era – o mentor intelectual de todas as suas derrotas no Oriente Médio. A ele devem a sua saída do Iraque, a derrota dos terroristas na Síria e no Iraque, a virada de jogo que está havendo no Iêmen contra os sauditas (vide o bombardeio da Aramco) e o fortalecimento bélico da resistência palestina em Gaza, com mísseis de altíssima precisão. Então, esse Rommel, ou quem sabe Montgomery, iraniano estava causando muitas enxaquecas aos americanos e aos israelenses.

O governo iraquiano está agora investigando como que os americanos souberam das movimentações dos dois comandantes. Suspeita-se que houve uma traição por parte de alguém dentro das próprias hostes iraquianas. Alguém pago com um bom punhado de dólares e um laissez passer para algum país ocidental.

A pergunta que se levanta é: qual será a reação do Irã? Bem, por enquanto tanto o Irã quanto o Iraque estão velando seus mártires. Quando vocês lerem esse artigo, provavelmente, eles já terão sido enterrados com uma milionária manifestação popular. Depois o Irã irá estudar quais das alternativas, já postas à mesa, irá utilizar para a retaliação. Poderá ser um ataque a uma das bases americanas, ou uma embaixada americana, ou um barco petroleiro americano. Não se sabe ainda. Se for comprovado o envolvimento dos israelenses nesse assassinato, o estado sionista poderá sofrer uma retaliação também.

Seria Trump tolo o suficiente para dar início a uma guerra generalizada contra o Irã? Não se duvida. Como ele já está com a sua reeleição comprometida, ele poderá lançar mão desse recurso suicida. Mas não nos iludamos e nem sejamos idiotas para acreditar que o Irã venceria uma guerra contra a maior potência bélica do mundo e com o apoio dos sionistas. Mas a que custo Trump venceria? Quando os pais americanos começarem a ver seus filhos voltando, aos milhares, em caixões cobertos com a bandeira americana começarão a se questionar por que eles estão envolvidos nessa guerra que não é deles, nessa areia movediça que é o Oriente Médio? Só para defender Israel? Os jovens americanos morrem para defender Israel? Os cidadãos americanos começarão a repensar o relacionamento com o Estado Sionista. E é disso que Israel tem medo.

Por isso que Israel está quieto. Está na moita. O governo desautorizou qualquer demonstração de regozijo por parte da população. E os comentaristas israelenses mostram muita preocupação em torno do que poderá acontecer. Têm medo de um conflito generalizado, no qual eles poderão ser o maior perdedor.

GILBERTO FERES ABRAÃO: Professor de idiomas e escritor iniciante, com o primeiro livro já lançado, "Mohamed, o latoeiro" pela Primavera Editorial.

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