Dia da “Al-Mubáhalat”

O Dia da “Al-Mubáhalat”



Dentre as missivas que o Mensageiro de Deus (S.A.A.S) enviou aos reis e patriarcas, onde os exortava ao Islam, uma delas foi ao clã de Bani Nidjrán, povo estabelecido ao nordeste do Iêmen e que eram cristãos, chamando-os também ao Islam.


Entretanto, os Bani Nidjrán não se converteram, porém, foram ao seu encontro, em Medina, onde se centralizava a sede do Governo islâmico, a fim de dialogarem com o Profeta Mohammad (S.A.A.S) sobre a própria religião e defender suas próprias opiniões Por sua vez, o Mensageiro (S.A.A.S) manteve com eles o diálogo, expondo-lhes a Mensagem Divina do Islam, mas os Bani Nidjrán não se convenceram e tampouco obedeceram aos direitos da justiça.


Conseqüentemente, Deus ordenou Seu Profeta em reunir “Ahlul Bait”, isto é, “Gente da Casa” para seguirem com ele na “Al-Mubáhalat”, que significa Polêmica ou Controvérsia, é uma forma de cada um dos lados, lançar praguejamentode sofrimento à parte embusteira, com os cristãos de Bani Nidjrán.


Obedientemente, o Profeta Mohammad (S.A.A.S) foi ao encontro deles, acompanhado com a “Gente da Casa” e que eram: Ali ibn abi Taleb, o recomendado do Mensageiro e ao mesmo tempo, primo e genro, Fátima Azzahra sua filha e senhora das mulheres do mundo, Al-Hassan e Al-Hussein, seus netos, denominados por “Os senhores da juventude habitante do Paraíso”.


Antes, porém, de chegar ao vale, ele mandou pedir ao líder dos cristãos de Bani Nidjrán, e que se chamava Abdel Massíh, príncipe e conselheiro daquele clã, juntamente com o Patriarca Abu Hátem ibn.Alqama, para que eles também reunissem suas mulheres e suas crianças para a “Al-Mubáhalat”.


Assim feito, os dois grupos começaram a convocar o praguejamento de sofrimento aos embusteiros. Contudo, quando os Bani Nidjrán viram o Profeta (S.A. A.S) mais de perto e em companhia da gente de sua casa, se aproximando cada vez mais, começaram a confabular entre si, questionando o seu príncipe:

  

  “O que estais vendo, oh Abdel Massíh?!

Admirado, ele lhes respondeu exclamando:


Por Deus! Vós já sabeis de que Mohammad é um Profeta enviado e ele se dirige a vós pela benevolência, por ordem divina?!

E prosseguindo, Abdel Massíh disse:


 Por Deus, oh Bani Nidjrán! Sabei que nunca surgiu um povo e praguejou contra um profeta e sobreviveu-lhes o seu líder, nem a germinação do menor deles! Cuidado, pois, se praguejardes contra este Profeta, perecer-se-ão, porém, caso negardes aderir à religião dele e conservardes na vossa doutrina, permanecendo firmes naquilo que vós sois, despeçam-se deste homem e voltem à sua terra!”


O Mensageiro Mohammad (S.A.A.S) foi se aproximando de Bani Nidjrán abraçado ao seu neto Al-Hussein, enquanto segurava a mãozinha de AlHassan. Fátima o seguia e atrás dela o seu marido, o

Imam Ali (A.S).


Ao se aproximarem do grupo, o Profeta (S.A.A.S) lhes falou:


“Se eu vos convoquei, digam apenas Amém!


Ele quis dizer que acreditassem na invocação que veio de Deus Supremo. No entanto, o Patriarca Abu Hátem ibn Alqama virou-se para sua gente e

exclamou:


 Oh comunidade cristã! Vejo rostos tão iluminados que, se Deus quisesse, moveria por eles uma montanha de seu lugar e, certamente que o faria!


Não discuteis, pois perecereis e não permanecerá na face da Terra um cristão sequer, até o Dia do Juízo Final!

O porta-voz de Bani Nidjrán aproximou-se do Mensageiro Mohammad e disse:


     "Oh Abul Qássem, achamos por bem não discutirmos contigo. Permanecei em vossa doutrina e nós permaneceremos na nossa. Contudo, o Mensageiro (S.A.A.S) retorquiu:  

     Se estais recusando usarmos Al-Mubáhalat, abracei, pois o Islam, e tereis o que os muçulmanos têm e fareis as obrigações que lhes são impostas. Infelizmente, oh Abul Qássem, nós não abandonaremos a nossa convicção”.


Respondeu Abdel Massíh.

"Nisso, o Profeta Mohammad (S.A.A.S) os admoestou:Então, eu vos duelarei!"


Temeroso, Abdel Massíh, exclamou:

  "Nós não temos a força militar suficientemente forte para guerrearmos os árabes, porém, pedimos a vossa benevolência para não sermos atacados, nem atemorizados, mas não nos impeçam de professarmos a nossa doutrina, e em troca, pagaremos a vós uma taxa anual como tributo, com mil peças de jóias e trinta armaduras de ferro”.


Diante da humildade e franqueza dos Bani Nidjrán, o Mensageiro de Deus (S.A.A.S) se reconciliou com eles dizendo:


 "Eu vos juro de que a destruição recair-se-á sobre os Nidjrán caso tivessem praguejado, e vós transformar-vos-ás em micos ou porcos e se incendiaria o vale e vos queimaria, assim como Deus dizimará  todos os Nidjrán e sua estirpe,juntamente com suas aves que se alojam nas árvores e lançará Seu Poder sobretodos os cristãos, até destruí-los por completo!"



O tributo oferecido pelos Bani Nidjrán foi aceito pelo Profeta (S.A.A.S), e eles retornaram à sua terra, nos arredores do Iêmen.


 Fonte:

1:livro "O Mensageiro do Islam e os Ahlul Bait" p40-44

 

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