General Qassem Suleimani & Abu Mahdi Al´Muhandis, guardiões da liberdade e da justiça

Atualizado: Jan 5


Ser um grande líder está relacionado à capacidade que muitas vezes alguém já detém desde o seu nascimento. Obviamente, há causas diversas que elevam o moral de alguns a ponto de torná-los líderes naturais, assim, pode-se dizer com tranquilidade que o ambiente auxilia à formação do caráter dos indiscutíveis heróis.


Foi assim com o general Hajj Qassem Suleimani, ícone de toda uma geração, grande nome na luta pela defesa dos injustiçados, e modelo para os homens e mulheres que se negam a vender a sua dignidade, pureza e liberdade, jamais se submetendo ao mal – cada vez mais facilmente reconhecido no mundo atual.


Destacado comandante na guerra de defesa iraniana contra o Iraque, quando o ocidente na sua sanha incontrolável pelo petróleo médio-oriental forçou um dos maiores tiranos da história, Saddam Hussein, a invadir o Irã, que havia acabado de concluir a sua bem sucedida Revolução Islâmica derrubando o Xá Reza Pahlevi, um patético títere prostrado aos interesses anglo-americanos na região, como hoje ainda estão tantos outros regimes desmoralizados.


Supreendentemente, a coalizão ocidental liderada pelos Estados Unidos da América e comandada diretamente pelo próprio Saddam Hussein, que julgava poder dominar o Irã em meses, viu a guerra se prolongar por longos anos, sem que o Iraque tivesse conseguido definitivamente invadir a nação persa e concretizar os seus intentos de derrubar a Revolução Islâmica, sendo obrigado a aceitar um acordo de paz em 1988.

A participação de Hajj Qassem Suleimani como comandante da 41ª Divisão do Exército durante o longo conflito o rendeu merecido reconhecimento como grande chefe estrategista e líder de respeito global, algo que usou durante toda a sua vida na defesa dos interesses do povo iraniano e de todos os oprimidos habitantes do Oriente Médio que sofriam e sofrem com insistentes ingerências ocidentais, como largamente sabido.

Sua capacidade, transparência, hombridade e fidelidade aos nobres valores da Revolução Islâmica o elevou ao prestigioso cargo de comandante da Guarda Revolucionária do Irã, corpo militar de elite, que representa marco na defesa da população iraniana, que se sente estável e segura com a presença de uma estrutura militar que protege o Irã das pressões históricas patrocinadas pela OTAN na região.


Sendo a República Islâmica do Irã um dos poucos países do Oriente Médio totalmente independente e autônomo em relação a tais imposições, ou seja, não governado por regimes manipulados e “inventados” sem qualquer legitimidade ético-histórica, mantém sempre em alerta a sua estrutura de defesa contra agressões bélicas estrangeiras, sofrendo ainda com criminoso embargo econômico-financeiro promovido pelos Estados Unidos.


A atuação do general Qassem Suleimani como comandante da Guarda Revolucionária, o seu destaque como liderança na estabilidade do país persa, e a sua mundialmente reconhecida idoneidade moral, mantém o seu legado proeminente e referencial.


Após a criminosa invasão americana ao Iraque, em 2003, marcada por incontáveis crimes de guerra e contra a humanidade protagonizados durante anos, algo vastamente documentado, o general Suleimani agiu como um diplomata, buscando diálogos em prol da minimização do sofrimento das pessoas e da proteção da maioria xiita, sempre perseguida pelos americanos, sedentos em garantir o controle das imensas reservas petroríferas do país, inventado pelos ingleses em 1932.

Sem sucesso no domínio das reservas petrolíferas e tendo perdido rapidamente espaço político e territorial no Iraque, sobretudo, após 2011, os Estados Unidos tentou manter o controle sobre o país investindo também na desestabilização do governo sírio de Bashar Al´Assad, financiando e operando o deslocamento de milícias de terroristas e mercenários oriundos, sobretudo, da Europa e de outros países asiáticos.


Milhares de bandos armados recrutados por serviços secretos estrangeiros se uniram a forças apoiadas pelo ocidente, que já promoviam o terror na Síria, como no caso da Frente A´Nusra – braço armado da Al´Qaeda (grupo comandado por extremistas sanguinários a serviço de interesse ocidentais), executando um banho de sangue através do “seu filhote”, o Daesh, numeroso esquadrão da morte de degenerados que espalhou um pavor poucas vezes visto na região.


A partir de 2014, o Daesh pôs em prática o plano arquitetado pelo ocidente, montar um governo, “califado”, em Mossul, de onde operaria o terror e ações repugnantes que iam desde a massacre público de crianças e jovens ao estupro em massa de meninas e mulheres, sempre ocultamente orientados por agentes externos.

Claramente, o interesse ocidental estava voltado, segundo analistas, ao domínio do norte dos dois países árabes visando facilitar o contrabando de petróleo via Mossul, importante cidade setentrional iraquiana, onde não surpreendentemente se instalou o autoproclamado “Estado Islâmico”, comandado por Abu Bakr Al´Baghdadi, indivíduo de passado obscuro, frequentemente acusado de ser agente da CIA.


Diante da imensa instabilidade na região, e vislumbrando a ameaça de um genocídio sem precedentes que poderia levar décadas, o Irã, apoiado pelo governo iraquiano, pela Rússia e pelo Hezbollah (partido político libanês), interviu diretamente e decididamente no conflito, enviando é claro o seu mais competente comandante militar para auxiliar a população civil largamente afetada, que também se mobilizou em brigadas populares reagindo à violência sem precedentes instalada pelo Daesh.


No caso do Iraque, as chamadas “brigadas populares” são formadas por jovens visionários, nacionalistas libertários, que se organizam em torno de grupos políticos oficiais que buscam a paz, a justiça social e a estabilidade regional, cansados dos absurdos promovidos pelos Estados Unidos e por seus aliados.


A heroica e eficaz atuação do General Qassem Suleimani, que se intensificou no conflito a partir de 2011, apoiado pelo líder das brigadas populares, Abu Mahdi Al´Muhandis, liderança política e militar respeitada em todo o Oriente Médio, foi fundamental para uma derrota considerada rápida das hordas de terroristas orquestradas veladamente pela OTAN na Síria e no Iraque.


Diante de fracassos sucessivos dos seus comandados, os Estados Unidos não tiveram outra opção a não ser empreender um plano para esconder provas dos seus crimes na região, promovendo uma larga “queimas de arquivos vivos” e destruição de armamentos e documentos, não esquecendo é claro de se vingar daquele que representou o fim, pelo menos momentâneo, dos genocídios e pilhagens que promovia, executando um atentado terrorista covarde que tirou a vida dos comandantes Suleimani e Muhandis, em Bagdá, capital do Iraque, no começo de 2020.


Logo em seguida, a grande mídia ocidental, historicamente controlada por grupos que apoiam abusos no Oriente Médio, passou a disseminar notícias falsas apresentando os heroicos combatentes Suleimani e Al´Muhandis como terroristas, algo que qualquer leitor que acompanhou mesmo que superficialmente a ascensão e queda do Daesh na Síria e no Iraque, sabe tratar-se de alegação insustentável.


Porém, as pautas, verdadeiros “CTRL C + CTRL V”, se espalharam nos site´s de notícias, tentando apresentar o general Suleimani como um agente de crimes, algo que não convenceu nem mesmo os mais desinformados que costumam se deixar levar pelos textos prontos montados por agentes de governos ocidentais poderosos; basta buscar na internet e encontraremos tais textinhos, “iguais como três golfinhos”.


O legado do general Suleimani, e do grande Al´Muhandis, apenas ganha força diante deste novo e gigantesco erro estratégico dos Estados Unidos, que ao promover mais um atentado terrorista vitimando agentes da paz e da justiça mundial, criou mártires que espalharam a sua essência aos que buscam combater a disseminação do mal travestido de bem, segundo as palavras da própria filha do general Suleimani, Zainab Suleimani, que nos legou uma frase definitiva: “Quebraram o frasco do perfume. Agora, a sua essência está em todos os lugares”.

Longa vida aos homens e mulheres de boa vontade, e que os seres humanos saibam prestigiar o verdadeiro bem, e reconhecer e combater o mal travestido.

Para saber mais: https://www.hispantv.com/noticias/politica/484679/iran-asesinato-soleimani-eeuu

Eduardo Santana

Professor de Ciências Humanas

e Coordenador do Centro Cultural Islâmico Imam Sadeq, Recife, Pernambuco.

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