Seis anos depois, ainda não há justiça para as vítimas muçulmanas xiitas do campo Speicher no Iraque

Esse mês marca seis anos desde o massacre de Camp Speicher, no qual cerca de 1.700 cadetes desarmados foram executados pelo Estado Islâmico no Iraque e no Levante (ISIL ou ISIS), e centenas mais foram presos e desapareceram pelas forças do governo iraquiano.



Para as famílias das vítimas, esse mês é um lembrete gritante do fracasso das autoridades em determinar o destino e o paradeiro de seus entes queridos e em levar os autores à justiça. Em 12 de junho de 2014, milhares de cadetes desarmados estavam treinando no Campo Speicher, uma base militar na província de Salah al-Din, no Iraque. Com a notícia de que Tikrit havia caído para o ISIL, 3.000 cadetes foram ordenados por seus superiores a vestir roupas civis, deixar Camp Speicher e voltar para casa por 15 dias. Nos eventos que se seguiram, muitos deles foram capturados por combatentes do ISIL, que separaram os sunitas dos xiitas e não-muçulmanos, antes de levar os dois últimos para vários locais ao redor de Tikrit e executá-los um por um. Seus corpos foram jogados em valas comuns ou jogados no rio Tigre.


A Diretoria de Sepulturas em Massa do Iraque, um ramo do governo responsável pela supervisão de escavações em massa no país, carece dos recursos humanos e materiais necessários para realizar seu trabalho. Isso inclui espaço de armazenamento insuficiente, falta dos equipamentos mais básicos, como luvas e máscaras, e apenas 43 funcionários encarregados da colossal tarefa de gerenciar as escavações das mais de 200 valas comuns documentadas no Iraque até o momento. Como resultado, foi recentemente estimado que, na taxa atual, levaria 800 anos para que as operações fossem concluídas.


Ali Hussein Kadhim, o único sobrevivente conhecido do ataque. Kadhim falou sobre a decisão de fingir de morto durante os tiroteios, esperando até a noite cair, quando fez a sua fuga; O testemunho de Kadhim, tornou claro que este ataque foi devastador para a comunidade xiita. E amplamente ignorado pelo Comunidade internacional e meios de comunicação de massa. É em memória desses 1700 mártires que a Shia Rights Watch escolheu 12 de junho para ser o Dia Internacional dos Direitos dos Muçulmanos Xiitas.


Declarar um Dia Internacional foi uma decisão que o Shia Rights Watch fez depois de perceber a quantidade de desinformação e falta de consciência que a comunidade internacional tem em Respeito às comunidades xiitas.


Por Carlos Meneses


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