Turquia: A Versão Sombria

Atualizado: Mar 8

Texto: Gilberto Feres Abraão

Não! O atual governo da Turquia não é flor que se cheire!

Desde que assumiu o governo do país, em agosto de 2014, o presidente Rajab Tayeb Erdogan (escrevi o nome do cara foneticamente, como se pronuncia), tem feito um esforço enorme para reavivar o antigo Império Otomano, apoiado pela ideologia da Irmandade Muçulmana.

Em inglês, “Muslim Brotherhood” , e em árabe “Al Ikhwan al Muslimin”. A Irmandade Muçulmana, é um grupo espalhado por vários países muçulmanos, em alguns formando partidos políticos com grande influência sobre a população menos escolarizada. Seu objetivo principal é agregar todos os países muçulmanos sob a bandeira de um só califado e seus princípios ideológicos são um pouco mais amenos que os wahabitas da Arábia Saudita. Mas igualmente aos wahabitas, de cujo ninho saíram as serpentes chamadas Estado Islâmico, Al-Qaeda, Boko Haram, e tantas outras, a Irmandade muçulmana também faz uso do terror para impor suas ideias e conquistar seus fins.

Os seguidores da Irmandade já causaram estragos em vários países muçulmanos. Logo após a revolução egípcia que depôs o rei Faruk em 1952 tentaram assassinar o Presidente Gamal Abdel Nasser em Alexandria. Na década de oitenta, na cidade de Hama, na Síria, forte reduto da Irmandade, levantaram a população sunita e tentaram derrubar o então presidente, Hafez al Assad, muçulmano alauíta, pai do atual presidente, Bashar al Assad. Nessa guerra na Síria que está terminando, a Irmandade Muçulmana, representada pela Turquia, cujo presidente Erdoghan é um louco seguidor e mentor da ideologia, aliou-se, sem pejo algum, aos wahabitas do Golfo. Os sauditas, os Emirados Árabes, o Catar e o Bahrein, financiaram a vinda de quase duzentos mil terroristas de todo o mundo (Inclusive do Brasil) e pagaram pelo armamento comprado aos Estados Unidos. Muitos entraram pela fronteira da Jordânia com a Síria e outros entraram pela fronteira sírio-turca. Através da Turquia vieram os terroristas chechenos, uzbeques, turcomenos e milhares de europeus e outros países ocidentais. Nos meses recentes, diante do avanço das forças sírias com o apoio da Rússia, Irã e o Hezbollah, a Turquia resolveu invadir a Síria. Rajab Tayyeb Erdoghan apresentou a desculpa de que queria criar uma zona de segurança conquistando o norte do território sírio. Os Estados Unidos imediatamente pularam em defesa da tese turca. Mas, na verdade, Erdoghan queria realizar seu sonho de conquistar a Síria como primeiro passo para o seu grande califado, o novo Império Otomano.

Frustrado, Erdoghan voltou atrás após perder equipamentos bélicos de centenas de milhões de dólares e, muito importante, algumas dezenas de soldados turcos voltaram em caixões envoltos com bandeiras turcas e tantos outros feridos. Os turcos tinham estabelecido postos de observação dentro do território sírio que agora ficaram cercados pelas tropas sírias e estão sujeitos a serem mortos ou aprisionados.

A oposição turca colocou Erdoghan contra a parede. Questionam, “Por que estamos tendo soldados mortos na Síria? O que estamos fazendo lá? Qual é o nosso interesse de invadir a Síria?” Há dois dias atrás houve até uma feroz batalha campal entre os partidários de Erdoghan e a oposição dentro do congresso turco. Uma cena hilária de todo mundo batendo em todo mundo.

Diante desses prejuízos todos, econômicos e políticos, Erdoghan aceitou o plano russo de ficar onde está e participar de patrulhas conjuntas com os russos se o seu problema é realmente segurança. Mas todo o mundo, inclusive seus aliados da OTAN e os Estados Unidos, sabem que ele é ambicioso e cheio de truques. Calcado na ideologia da Irmandade Muçulmana, que ele segue, prega um pan-islamismo, pelo qual ele quer reavivar o antigo Império Otomano.

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